Tarifa de transporte coletivo: r$ 2,85. Não precisar depender de ônibus: não tem preço.
As empresas de transporte coletivo deveriam pagar para os passageiros utilizarem seus serviços. Ora, claro que sim. Pra começar se você tiver um compromisso com horário então terá que sair de casa com muito tempo de antecedência, pois pelo menos quarenta minutos é para ficar esperando o “busão”.
Quarenta e cindo minutos depois lá vem ele, cheio, muito cheio. Então você pensa: “espero o próximo para ir sentado ou vou neste mesmo?”, rapidamente você recupera a sanidade e entra no ônibus antes que o “simpático” motorista arranque com tudo. Esperar o próximo para sentar durante a viagem é pura ilusão, ele nunca virá vazio, e você vai perder mais quarenta e tantos minutos.
Você entra e vai pagar a passagem e o cobrador vai logo dizendo que não tem troco. Para não ter que ficar ali na catraca esperando ele juntar troco você prefere contar as suas moedas, com o sacolejo do ônibus você acaba perdendo algumas que saem correndo entre os pés dos passageiros.
Você vai se espremendo até achar um lugar menos “embolado” de gente, e você acha, este lugar está meio vazio pelo simples fato de ter uma mulher toda suja e exalando um enorme mau cheiro. Bravamente você consegue ficar ali por 30 segundos, parabéns!
Você então se dirige mais para o final do veículo, vai se esbarrando e se desculpando até conseguir um lugarzinho para colocar as plantas dos pés sem pisar em alguém. Neste lugar você fica por dentro dos últimos capítulos das novelas, sabe quem foi o eliminado do paredão do Big Brother e ainda fica por dentro dos fatos mais dramáticos ocorridos no mundo nas últimas horas. Esta ala do “busão” tem alguma televisão? Claro que não, são apenas aquelas conversas entre “comadres” dentro do ônibus, elas não se conhecem, mas sempre tem alguma opinião ou informação para compartilhar. O que elas mais gostam de compartilhar na verdade é a vida das suas patroas.
E sua viagem vai prosseguindo, de repente uma mulher se levanta para descer na próxima parada e você enxerga uma oportunidade de sentar um pouco, mas você é lerdo e um pirralho corre na sua frente, senta-se, abre a mochila, tira seu mp3, seleciona uma musica e a compartilha com todos a bordo. E então meu caro, você vai curtindo um pagodinho até que chegue ao seu destino final. E olha como você está com sorte, não vão duas musicas inteira e o pirralho desce do ônibus. Agora sim você consegue se sentar, e a sua vizinha de banco também tem uma musica para compartilhar com todos, mas ela nem quis saber se você curte rock. Você pensa: “poderia ser pior, poderia ser funk”.
O som já nem incomoda mais, o pior esta no sacolejo do veículo, seus órgãos internos parecem estar todos misturados e desordenados dentro da barriga.
Seu ponto está próximo, mal você se arruma para se levantar e já têm duas pessoas fechando sua passagem na tentativa de disputar seu lugar. Você consegue se desvencilhar com dificuldades, caminha até a porta de saída e aperta o botão da campainha. Você sente-se um pouco aliviado por estar perto de descer, mas sabe que vai ter que caminhar um pouco, pois nunca existe uma linha de ônibus que passe exatamente em frente ao endereço que você quer.
O motorista ignora o sua solicitação de parada e passa do seu ponto, você fica furioso, e com toda razão, pois terá que andar muito mais agora. Num impulso de raiva e desespero você grita: “motorista seu incompetente, não viu que eu apertei essa merda?” O motorista devolve: “não meu querido, você apertou a válvula da descarga porque a merda vai descer é agora”. Ele para o veiculo, abre a porta e você desce xingando, utilizando todo seu repertório de palavrões pra cima “motô”. Você já fora do ônibus tenta correr até a frente do veículo para ameaçar o pobre coitado, mas ele arranca e sai com tudo, e a ultima coisa que você consegue ver é a plaquinha na lateral do ônibus: Tarifa r$ 2,85.



